A utilização do biometano como combustível renovável para o transporte público e pesado esteve no centro do painel “Biometano em movimento: a nova energia do transporte público e pesado”, realizado no primeiro dia do 68º Congresso Estadual de Municípios, promovido pela Associação Paulista de Municípios, no Distrito Anhembi.
Mediado pelo presidente da entidade, Fred Guidoni, o debate reuniu representantes do poder público, setor regulatório e iniciativa privada.
O painel destacou o biometano — gás renovável produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos — como uma solução viável para reduzir emissões, diversificar a matriz energética e aproveitar a infraestrutura já existente de distribuição de gás.
Descarbonização nas cidades
O secretário adjunto de Mobilidade Urbana de São Paulo, Rafael Toniato Mangerona, apresentou a dimensão do sistema de transporte da capital, com 13.483 ônibus em operação, distribuídos em 1.319 linhas, que transportaram 1,9 bilhão de passageiros em 2025.
Ele destacou o perfil dos usuários — majoritariamente mulheres (53%), com renda média de R$ 3.690 e grande presença em áreas de vulnerabilidade para reforçar o impacto social da mobilidade urbana. Segundo o gestor, o setor responde por cerca de 60% das emissões de poluentes na cidade, o que torna urgente a transição energética.
Desde outubro de 2022, a Capital proibiu a aquisição de novos ônibus a diesel e estabeleceu a meta de incorporar 2.200 veículos elétricos ou de baixa emissão até 2028 — atualmente, mais de 1.250 já estão em operação. Nesse contexto, o programa BioSP, lançado em 2025, prevê a inclusão de ônibus movidos a biometano nos contratos de concessão.
Planejamento e escala
No âmbito estadual, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que o tema é prioridade desde 2023 e destacou o potencial de São Paulo na produção de energia limpa. O Estado já possui 59% de sua matriz energética baseada em fontes renováveis, índice bem acima da média de países da OCDE.
O plano energético estadual prevê redução de 62% das emissões no setor de transportes até 2050 e projeta que São Paulo ultrapasse a marca de 1 milhão de metros cúbicos de biometano produzidos até 2027. A estratégia está estruturada em cinco eixos: meio ambiente e social, regulação, mercado, infraestrutura e desenvolvimento técnico.
Diretor da Arsesp, Amauri Gavião destacou que a agência já regula a distribuição de gás natural e biometano em uma rede de 25 mil quilômetros, que atende cerca de 3 milhões de usuários. Segundo ele, a maturidade regulatória é um dos fatores que permitem a expansão do setor com segurança.
Infraestrutura e desenvolvimento econômico
O diretor institucional da Comgás, Bruno Dalcomo, ressaltou a rápida evolução do setor. “Há dois anos, praticamente não se falava em biometano. Hoje, já é uma realidade”, afirmou.
Ele destacou que, além dos ganhos ambientais, o biometano representa uma oportunidade econômica, com potencial de geração de cerca de 20 mil empregos no Estado, segundo estudos da indústria. A companhia, que possui mais de 23 mil quilômetros de rede e 2,8 milhões de clientes, já opera com biometano integrado ao sistema.
“O biometano na rede é uma realidade e São Paulo tem condições de se tornar referência nacional e internacional na descarbonização do transporte pesado”, disse.
O CEO da Necta, José Eduardo Moreira apontou o tamanho do desafio: o Brasil possui uma frota de 4,2 milhões de caminhões e consome cerca de 193 milhões de litros de diesel por dia. Segundo ele, já há avanços nas políticas públicas e um movimento crescente de prefeituras adotando o biometano em suas frotas.
Atualmente, existem 135 usinas com potencial de produção de até 3 milhões de metros cúbicos diários, além de 2.432 caminhões a gás licenciados — número que pode chegar a 15 mil até 2030.
Alternativa estratégica
O presidente da Abiogás, Alessandro Gardemann, classificou o biometano como o “pré-sal caipira”, ao destacar seu potencial estratégico. Segundo o dirigente, a expansão do combustível pode garantir previsibilidade de preços, segurança energética e geração de empregos nos municípios.
Já o deputado federal Arnaldo Jardim defendeu o fortalecimento dos biocombustíveis como parte da transição energética nacional. “Importamos cerca de 28% do diesel que consumimos. O biometano pode reduzir rapidamente essa dependência”, afirmou.
Para ele, o avanço do setor depende de regras estáveis e planejamento de longo prazo, capazes de atrair investimentos e dar segurança aos municípios.
O 68º Congresso da APM tem apoio institucional da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado de São Paulo; patrocínio master da Atria Investimentos e Participações, Comgas e Prodam; apoio da Associação de Municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte (Amvale), CDHU, Funap, Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), IPEM SP, Sebrae SP, Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo e Senac; patrocínio da Associação Paulista de Biomedicina, Banco do Brasil, Caixa, CIP Soluções, Editora Munera, FA Consulting, Itaú, Local DC, OM30, Pedágio Digital, Prodesp, Sabesp, Sentry, Serpro, União Incorporadora e Construtora, Via Brasil Mobility e Vivo.
Serviço
68° Congresso Estadual de Municípios
De 6 a 8 de abril de 2026
Realização: Associação Paulista de Municípios – APM
Local: Distrito Anhembi
Endereço: Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana, São Paulo/SP
Inscrições gratuitas pelo site www.apaulista.org.br/congresso

