O protagonismo do Brasil no agronegócio mundial e os caminhos para transformar esse potencial em desenvolvimento local abriram o debate do painel Agricultura e Desenvolvimento Rural, no 68º Congresso Estadual de Municípios.
A condução inicial foi feita pelo consultor desse setor na Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Mario Ribas do Nascimento, que destacou a importância de os gestores municipais conhecerem a fundo os processos produtivos e, sobretudo, saberem acessar os programas e políticas públicas disponíveis para o setor.
“O Brasil é referência mundial para o agronegócio”, afirmou ele, que destacou o desafio dos gestores municipais em compreender profundamente os processos produtivos e, principalmente, saber acessar os programas e linhas de apoio disponíveis.
Nascimento também chamou atenção para um movimento crescente no país: o retorno ao campo. “Estamos vendo um êxodo inverso, com a possibilidade de os nossos filhos voltarem das cidades para o campo para empreender, impulsionados pelo avanço da tecnologia e da comunicação, além da melhora da qualidade de vida”, disse.
Para o consultor, é essencial que cada município identifique sua vocação econômica para competir em um mercado globalizado, além de investir na valorização da agricultura familiar e da pesca artesanal, agregando valor à produção.
Case do café ao vinho
O prefeito de Espírito Santo do Pinhal, Serginho Bianchi, apresentou o case da cidade que tem cerca de 40 mil habitantes que transformou sua tradição cafeeira em uma estratégia diversificada de desenvolvimento.
Com 950 propriedades produtoras e exportação para mais de 120 países, o café segue como pilar econômico e cultural. A cidade possui mais de 400 quilômetros de estradas rurais e uma cadeia produtiva robusta, que envolve desde pesquisa até a fabricação de máquinas — não por acaso, “8 em cada 10 xícaras passam por máquinas pinhalenses”.
Desde 2016, o município conta com selo de indicação geográfica, reforçando a qualidade do produto. No entanto, a inovação veio com a diversificação: a introdução da vinicultura. A primeira produção de vinho ocorreu em 2008 e, atualmente, são nove vinícolas, com cerca de 1,5 milhão de garrafas produzidas na região.
O enoturismo também ganhou força, com visitas, degustações e eventos que colocaram a cidade nas rotas do vinho e do café do estado. “Colocamos o pequeno produtor no mapa”, destacou o prefeito. Apenas em 2024, foram R$ 500 milhões em investimentos, somando cerca de R$ 2 bilhões nos últimos quatro anos.
Agricultura familiar como motor de renda
Já o prefeito de Sarapuí, Gustavo Barros apresentou o case vencedor do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora 2026 na categoria Empreendedorismo Rural.
O projeto, voltado à bubalinocultura, impacta diretamente 107 famílias e mais de 500 pessoas em uma cidade de pouco mais de 10 mil habitantes. Com o quarto maior rebanho do estado (cerca de 5,6 mil animais), a produção anual chega a 3,6 milhões de litros de leite.
O 68º Congresso da APM tem apoio institucional da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado de São Paulo; patrocínio master da Atria Investimentos e Participações, Comgas e Prodam; apoio da Associação de Municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte (Amvale), CDHU, Funap, Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), IPEM SP, Sebrae SP, Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo e Senac; patrocínio da Associação Paulista de Biomedicina, Banco do Brasil, Caixa, CIP Soluções, Editora Munera, FA Consulting, Itaú, Local DC, OM30, Pedágio Digital, Prodesp, Sabesp, Sentry, Serpro, União Incorporadora e Construtora, Via Brasil Mobility e Vivo.
Serviço
68° Congresso Estadual de Municípios
De 6 a 8 de abril de 2026
Realização: Associação Paulista de Municípios – APM
Local: Distrito Anhembi
Endereço: Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana, São Paulo/SP
Inscrições gratuitas pelo site www.apaulista.org.br/congresso

