A poucos dias do início do 62º Congresso Estadual de Municípios, o presidente da APM, Carlos Cruz, fez uma análise do que espera do evento e qual a importância nesse momento da política nacional em que teremos eleições majoritárias. “O Congresso de Municípios é o
único palanque supra partidário que coloca no mesmo lugar todas as correntes, matizes, partidos e ideologias político-partidárias, é o palanque municipalista”, disse ele.
E completou: “Por que? Porque vamos trazer todos os candidatos a presidente e a governador, oferecendo os palanques. Estamos convidando todos eles. Os partidos que
mandarem, aproveitarão este espaço, os que não mandarem, perderão uma excelente oportunidade de falar com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e gestores municipais,
formadores de opinião em todo o Estado. Por que vamos fazer isso?
Nós entendemos que a sociedade brasileira vai realizar uma verdadeira catarse na discussão do futuro do Brasil, do que ela quer na disputa presidencial, dos governadores,
senadores, deputados, do Congresso Nacional. Acredito que por volta de junho, julho, esse assunto vai tomar conta do país inteiro”.
Por isso, caberá ao Congresso de Municípios um papel fundamental, segundo destaca o presidente da APM:
“Queremos preparar os líderes políticos municipais, que são os prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e gestores municipais para ouvir o que todos os candidatos têm a dizer, para estarem informados quando chegarem em seus municípios. Quando forem discutir com suas bases, terão argumentos sólidos”.
Carlos Cruz lembra que as pessoas comuns estão mais preocupadas com a conta de luz, conta de água, o filho na escola e deixará para se preocupar com a eleição na hora de votar. “Só então procurarão se informar com suas lideranças, para ter um voto mais consciente, um voto mais certo”, diz.
O presidente da APM explica que para este Congresso, foram realizadas 7 reuniões preparatórias, nas cidades de Regente Feijó, Ribeirão Preto, Pindamonhangaba, São José do Rio Preto, Bauru, Campinas e a última no Vale do Ribeira, para explicar e motivar os
políticos e gestores municipais, principalmente por causa de um fator: os prefeitos e vereadores de hoje são uma geração nova e não tem muito conhecimento dessa
tradição do Congresso de Municípios, que chega a sua 62ª edição.
“No último pleito municipal, 72% dos prefeitos eleitos são novos. E dos vereadores, 84% são novos. Por essa razão resolvemos fazer as reuniões preparatórias para explicar”, disse.
A segunda vertente do Congresso Estadual de Municípios é referente ao conteúdo de gestão. Carlos Cruz diz que, por exemplo, na saúde o que mais inferniza as prefeituras
é a judicialização. “Um exemplo aconteceu em Araçatuba”, disse ele. “O prefeito me disse que recebeu de presente uma judicialização em que uma pessoa precisava de tratamento de saúde, baseado em sete ampolas de um remédio que custa R$ 350 mil cada ampola.
Dá mais de R$ 2 milhões e o juiz mandou a prefeitura pagar, mandou comprar na Rússia, na China, seja onde for e dar para o paciente”.
Para o presidente da APM, “esse é o problema”. E explica: “A pessoa entra na justiça contra os três órgãos federados, União, Estado e Município. Só que o juiz determina que o município pague. Por que isso? Porque não está estabelecida a competência do pacto federativo. Então vamos tratar desse tema porque é um problema seríssimo”.
Outro caso é na área da Educação, segundo Cruz: “Vamos falar sobre o limite de gastos estabelecidos na legislação. Hoje em muitas cidades 25% é pouco e as prefeituras acabam gastando mais de 30%.
Mas existem municípios em que o prefeito tem que pintar 3 vezes a escola no ano para chegar no percentual estabelecido. Então queremos tratar esse assunto de uma

forma
mais direta”.
A segurança é outro tema importante para ser discutido no 62º Congresso de Municípios. “É um assunto efervescente e inclusive foi até criado o Ministério da Segurança”, ressalta o presidente da APM, ao lembrar que o ministro Raul Jungmann estará no Congresso para se encontrar com as autoridades municipais paulistas. Por fim, frisou também que cidades
inteligentes é outro tema importante.
“Vamos mostrar e conversar sobre o que existe de mais moderno hoje, e ver porque as cidades tem que se plugar no século 21”, completou.

