O Papel Estratégico do Biometano na Transição Energética

No terceiro e último dia do 67º Congresso Estadual de Municípios, realizado na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, o painel “Plano de Descarbonização: A nova matriz para transição energética e o papel estratégico do biometano” teve como destaque as ações e estratégias adotadas pela Prefeitura de São Paulo para reduzir as emissões de poluentes no transporte público.

Os participantes foram contundentes ao apontar que o biometano é uma alternativa viável, de baixo custo e com infraestrutura já disponível, capaz de acelerar a descarbonização das cidades e complementar o avanço da eletrificação na mobilidade urbana.

O secretário Executivo de Mudanças Climáticas, Renato Nalini, destacou que São Paulo é um dos maiores centros urbanos do mundo e, como tal, enfrenta desafios imensos quando o assunto é a descarbonização. A Cidade, que abriga uma das maiores frotas de ônibus do planeta, com mais de 13 mil veículos, tem sido pioneira na busca por alternativas que reduzam a emissão de gases de efeito estufa.

Ele ressaltou a importância de se diversificar as fontes de energia limpa para garantir que a transição energética aconteça de forma eficiente, sem comprometer a operação dos serviços urbanos.

Secretário de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira revelou que foi criado um grupo de trabalho coordenado pela pasta com o objetivo desenvolver as políticas e diretrizes do governo municipal para o futuro da mobilidade sustentável na Cidade.

“Essa iniciativa gerou um material técnico robusto que será analisado pelas secretarias competentes e está pronto para ser apresentado ao prefeito Ricardo Nunes”, disse Caldeira. Ele acredita que este material não apenas ajudará a definir os próximos passos para a cidade, mas também poderá servir como referência para outras cidades do Estado, mas também do Brasil e do mundo.

Uma das questões centrais abordadas pelo secretário de Planejamento, Clodoaldo Pellizoni, foi como viabilizar financeiramente essa transição energética na frota municipal, pois a troca de veículos a diesel por modelos elétricos pode ser onerosa inicialmente, devido ao custo mais elevado dos ônibus elétricos em comparação aos movidos a diesel.

Além do financiamento municipal, o secretário destacou os recursos obtidos de diferentes instituições financeiras, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Mundial e Banco da China. Esses financiamentos têm taxas de juros bem mais baixas que as tradicionais do mercado, tornando a operação mais viável para a Prefeitura de São Paulo.

Para o secretário de Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi, a descarbonização não é uma questão partidária ou de divergências ideológicas, mas um compromisso global urgente. Ele apelou para a união de diferentes níveis de governo e setores da sociedade na criação de políticas públicas eficazes para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O titular da pasta pediu o apoio das prefeituras e câmaras municipais para criar legislações favoráveis à transição energética e à implementação de veículos sustentáveis nas frotas municipais.

Ele ainda fez um apelo ao governo estadual e federal: “Queremos transformar essa revolução verde em uma realidade para todas as cidades do Brasil, independentemente do seu tamanho. O financiamento de novas tecnologias para a descarbonização, como a conversão de ônibus e caminhões para biometano, precisa ser prioridade”, afirmou.

O titular da pasta de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, citou que a política de incentivo ao biometano, por exemplo, tem o potencial de gerar mais de 20 mil empregos em São Paulo. “Quando falamos de descarbonização, não estamos apenas tratando de um compromisso com o meio ambiente, mas também de uma oportunidade para fortalecer a economia local e criar empregos de qualidade”, disse

Oportunidades

O diretor institucional e regulatório da Comgás, Bruno Dalcomo, afirmou que São Paulo tem condições de se tornar referência global em mobilidade limpa. Ele lembrou que 70% das garagens de ônibus municipais já são abastecidas por rede de gás natural, o que facilita a substituição pelo biometano.

Para o diretor comercial e de novos negócios da Solví Energia Verde, Ricardo Colpo, esse combustível deve ser visto como uma solução de economia circular, que transforma resíduos em energia e pode reduzir em até 95% as emissões de CO₂.

Durante a apresentação, Alessandro Gardemann, diretor do conselho da ABiogás, reforçou o potencial brasileiro no setor. De acordo com ele, apenas os resíduos urbanos seriam suficientes para substituir 50% do diesel da frota pública de São Paulo.

O diretor-executivo de Estratégia e Suprimento de Gás da Necta, Rafael González, apresentou o case de Presidente Prudente, primeira cidade brasileira abastecida 100% por biometano por meio de rede de distribuição. O projeto, de R$ 11,5 milhões, usa resíduos agropecuários para abastecer residências e frotas, criando um modelo de economia circular regional.

Já Ludovino Lopes, coordenador do comitê jurídico do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, destacou o biometano como ativo ambiental e financeiro e reforçou que essa experiência de São Paulo precisa ser divulgada para outras localidades do Brasil e do Mundo.

Serviço

67° Congresso Estadual de Municípios

De 26 a 28 de agosto de 2025

Endereço: Praça Charles Miller, s/n Pacaembu, São Paulo – SP

Realização: Associação Paulista de Municípios – APM

Apoio Institucional: Prefeitura de São Paulo, Governo do Estado e Mercado Livre Arena Pacaembu

Patrocínio Master: Loga e Comgás

Inscrições gratuitas e programação completa no site www.apaulista.org.br/67cem