Discutir temas atuais como sexo, drogas e educação, para uma platéia repleta de adolescentes, não é tarefa muito fácil. Porém, os palestrantes desta quarta-feira foram muito aplaudidos pelos alunos da escola Estadual Dr. Jovino Silveira, de Serra Negra, durante a Programação Especial do 54º Congresso Estadual de Municípios.
Dra. Luiza Francisca Almeida de Barros Albuquerque, psicóloga com especialização em linguagem não verbal e abordagem sistêmica familiar, falou sobre Família x Escola. Ela destacou a importância de deixar o adolescente falar, uma vez que ele tem necessidade de ser ouvido e não em ouvir. “Todo adolescente normal dá trabalho. Se não der, provavelmente há alguma coisa de errado com ele”, afirmou.
Algumas características em um adolescente foram mencionadas pela palestrante: mudanças rápidas de humor, sentimentos imaturos exagerados, memória melhorada (nas meninas), sono profundo e sonolência (nos meninos), sexualidade exacerbada, sentimento de deformação do corpo, sensação que dá prazer dura muito pouco e necessidade de referência afetiva.
A doutora afirma que, quem cuida, toca o outro. “Quando se vive em um ambiente familiar com indiferença, se nega ao afeto. O principal medo nos dias de hoje é ser diferente. Todos têm medo do diferente. A sociedade está ficando distante da afetividade”, salientou a doutora.
A segunda palestrante foi a Dra. Albertina Duarte, médica especializada em ginecologia e Coordenadora da Saúde do adolescente da Secretaria de Estado de São Paulo. Dra. Albertina iniciou sua palestra afirmando que a adolescência é um tempo de mudança e amadurecimento do jovem.
Ela afirma que estamos importando padrões de corpos perfeitos, com cabelos loiros e olhos azuis, que não fazem parte de nosso biótipo brasileiro, um país repleto de misturas. “Estamos vivenciando uma mentira de altura, peso e rosto. Necessitamos de aprovação e hoje somos vitimas de descriminação do próprio corpo”.
Outro ponto que a Dra. ressaltou é a questão da gravidez na adolescência, que ainda é um problema. Os adolescentes possuem métodos para prevenção, mas não os utilizam, conforme destacou. “Camisinha hoje é anel de compromisso”, garantiu a Dra. Albertina.
A terceira palestra ficou no comando do Tenente da PM Orlando Benedito de Lima, coordenador do Projeto SEMEAR, de Taubaté, que discorreu sobre as drogas.
O Tenente afirmou que a pior droga é a droga do pensamento negativo. Segundo ele, uma infância infeliz e pessimista leva o adolescente a procurar formas de ser feliz de outra maneira. “È importante que o adulto ouça seu filho, para que o traficante não se torne seu melhor amigo”.
