Discussão no Summit Agenda SP+ Verde falou do papel das cidades na adaptação às mudanças do clima e na integração de políticas
Desde enchentes até ondas de calor, os efeitos das mudanças climáticas já são parte da rotina das cidades. Diante desse cenário, prefeitos e técnicos da área apontaram que a adaptação climática deve ser tratada como um eixo estruturante da gestão pública. O tema foi debatido no painel “Território em Mudança: o papel dos municípios na resiliência climática”, realizado em 5/11 durante o Summit Agenda SP+ Verde, evento pré-COP30 realizado na semana anterior à conferência da ONU sobre mudanças climáticas.
O evento teve a participação dos prefeitos Dário Saad, de Campinas, Rogério Santos, de Santos, e Rafael Piovezan, de Santa Bárbara d’Oeste, além de Fred Guidoni, presidente da Associação Paulista de Municípios (APM), Rodrigo Corradi, diretor do ICLEI Brasil e Cristiane Borda, gerente de calor e saúde na Rede C40 Cities, mediadora do painel.
Agenda climática no planejamento urbano
Os municípios estão na linha de frente dos impactos climáticos, mas ainda enfrentam obstáculos para transformar planos em políticas permanentes. Para os prefeitos, é preciso ter integração de políticas. A agenda climática não pode ser pensada isoladamente, mas deve mobilizar as áreas de transporte, saúde, lazer, infraestrutura, entre outras.
“O primeiro grande desafio dos municípios é se adequar a essa nova realidade, construindo um plano climático municipal que atenda as expectativas da legislação estadual e nacional, para que os gestores possam capacitar os municípios para o desenvolvimento urbanístico com essa lógica da agenda climática. O segundo desafio é colocar tudo isso em prática”, disse Fred Guidoni em entrevista ao Estúdio Móvel da Agência SP.
Soluções locais, impactos globais
A cidade de Campinas destacou-se por ter conseguido reduzir emissões de gases de efeito estufa e integrar metas climáticas a políticas de mobilidade e saneamento. Em Santos, a urbanização de áreas vulneráveis e a parceria com a Sabesp em projetos de reestruturação de palafitas.
Já Santa Bárbara d’Oeste viu aparecerem casos de dengue em pleno inverno. A hipótese foi de que ilhas de calor propiciaram a proliferação do vírus. Como solução, a cidade ampliou a cobertura vegetal, atenuando as altas temperaturas e aumentando a permeabilidade do solo.
Cristiane Borda, da Rede C40 Cities, ressaltou a importância dos instrumentos e estratégias diversificadas de financiamento para promoção da adaptação e resiliência no nível municipal, por meio da implantação de projetos urbanos integrados e multifuncionais. “Este é um grande desafio, sobretudo para municípios de menor porte, e será uma discussão fundamental na COP30”.
Papel do Governo do Estado
O Governo do Estado de São Paulo tem adotado medidas concretas para fortalecer a adaptação climática municipal e o desenvolvimento urbano sustentável. Entre as ações de destaque estão o Programa Refloresta SP, que incentiva a restauração de paisagens e sistemas agroflorestais, com meta de recuperar até 1,5 milhão de hectares até 2050; e o Finaclima SP, mecanismo de financiamento climático que facilita o acesso de prefeituras e empresas a recursos voltados à conservação e à adaptação.
Na área hídrica, o Estado também avança com o Plano de Resiliência Hídrica e o Universaliza SP, que ampliam o acesso de municípios a obras de drenagem, saneamento e abastecimento com condições facilitadas. Já a regionalização do saneamento tem promovido parcerias entre municípios para garantir escala e eficiência na gestão da água e dos resíduos.
Essas iniciativas reforçam que São Paulo atua de forma coordenada, criando instrumentos técnicos e financeiros para que as cidades desenvolvam seus próprios planos de resiliência em consonância com as metas estaduais e nacionais.
Sobre o evento
O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde.
A estrutura montada no Parque Villa-Lobos conta com cinco palcos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade, espaço gastronômico e atrações culturais.
Os debates estão organizados em quatro eixos temáticos: Finanças Verdes, Resiliência e o Futuro das Cidades, Justiça Climática e Sociobiodiversidade e Transição Energética e Descarbonização. Uma trilha de economia circular também conecta todos os palcos e se estende à Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular.
Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos discutem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo. No palco principal, a economia verde é o centro das discussões, com presença de lideranças políticas e convidados nacionais e internacionais.
*Com informações da Assessoria do Summit Agenda SP+Verde

